OUTROS ANIMAIS
MOLUSCOS

O animais do filo Mollusca (latim Mollis, Moles) podem ser encontrados em ambiente terrestre e aquático, normalmente marinho.
Tem o corpo mole, sem segmentação, consistindo tipicamente de uma cabeça anterior, dotada de uma boca e dos orgãos dos sentidos, um pé ventral e uma massa visceral dorsal revestida por uma prega de pele chamada manto. O manto, fino e carnoso, cobre mais ou menos o corpo e segrega a concha calcárea. A concha, que normalmente é externa e feita principalmente por Carbonato de Cálcio, Conchiolina (uma substancia fabricada pelo molusco) e outros minerais, serve para o animal se alojar e proteger quando ameaçado. É principalmente através dela que reconhecermos a espécie.
Conchas sempre foram usadas como adorno e em algumas regiões como dinheiro e símbolo de poder.
A ciência que estuda o animal é chamada Malacologia e a que estuda as conchas Conquiliologia. Ver um molusco vivo em seu habitat, principalmente algumas espécies, é fantástico. As cores, formato e locomoção propiciam uma imagem recompensadora da atividade subaquática.
Há vários moluscos que são tóxicos se ingeridos, já ocorreram inúmeras mortes por alimentação. Para nós interessam apenas os que podem nos ferir no contato.
O filo é dividido em 6 classes. As classes Amphineura (Poliplacoforos / Quítons), Scaphopoda (Dentálios) e Monoplacophora (Neopilina) não têm representantes que nos preocupam. Vamos ver as outras três classes que mais nos interessam.

1 - GASTRÓPODA
Os moluscos da classe Gastrópoda tem como característica um grande pé ventral alongado e achatado que se expande em forma de sola viscosa. Possuem a cabeça separada com dentes quitinosos (Rádula), cabeça esta geralmente tentaculada e com olhos. A concha é feita de uma só peça calcárea em espiral. Também é conhecida como classe Univalva ou dos Caramujos. Alguns gastrópodas possuem uma tampa, Opérculo, que usam para fechar a abertura da concha dando-lhes uma melhor proteção. Nos interessa a superfamília Conacea que têm três famílias, Conidae, Terebridae e Turridae. Todas estas famílias possuem toxina sendo que só a Conidae é comprovadamente perigosa ao ser humano.
1.1 - CONUS
Chamados de Toxoglossos (grego toxidon, veneno + glossa, língua). A maior parte deles vive em mares tropicais. A concha é robusta, alargada, com uma breve espiral sendo que a última cobre as anteriores. Tem a forma de um cone, dai o nome Conus, com cores bem vivas e atraentes. O animal possui uma expansão em forma de tubo, a Proboscis, da onde é lançado o dente radular que é modificado em forma de dardo. Há uma glândula produtora de neurotoxina de efeito paralisante, que é ligada a Proboscis, sendo que quando o dardo saí leva consigo a toxina, atingindo a presa e a imobilizando. Todos são carnívoros, sendo divididos de acordo com sua alimentação. Os que comem peixes, piscívoros, os que comem vermes, vermicivoros e os que comem outros moluscos, moluscívoros.
Os moluscívoros e vermicívoros podem provocam nos humanos sintomas que começam com dor no local atingido pelo dardo, formigamento, inflamação, vermelhidão, vertigem, vómitos, dificuldade respiratória, visão embaçada, dificuldade em falar e engolir, paralisia e desmaio, o que para um mergulhador representa grande perigo. Estes sintomas costumam passar após algumas horas, as vezes levando alguns dias. Já os piscívoros por possuírem uma toxina mais forte, comparada as mais peçonhentas cobras terrestres, além dos sintomas já descritos levam a estado de coma e morte que pode ocorrer em poucos minutos.
Nas Américas são encontradas aproximadamente 50 espécies, sendo que no Brasil há cerca de 17. Apesar de não ter sido encontrada nenhuma Conus piscívora no Brasil já houve caso de acidente com este animal.

2 - CEPHALOPODA
Na classe Cephalopoda (grego Kephale, cabeça + podos, pé) estão os moluscos mais desenvolvidos. Tem a cabeça grande e uma boca central, circundada tentáculos (braços) repletos de ventosas em forma de taça que servem para o animal segurar a presa e levá-la até a boca, mordendo-a com suas mandíbulas côrneas, curvadas e pontiagudas, em forma de bico de papagaio. Suas glândulas salivares produzem Cefalotoxina que é injetada pelas mandíbulas para atordoar ou matar a presa Nos tentáculos ficam orgãos sensoriais químicos e táteis. A cabeça e o corpo unem-se por um pescoço e, abaixo deste há um funil muscular, o sifão, usado para o animal se locomover por jato propulsão. Na pele há inúmeros sacos elásticos, os cromatófaros, que são cheios de pigmentos permitindo ao molusco alternar sua cor pela contração e expansão deles. Como o camaleão ou o linguado, para mimetizar-se pode mudar rapidamente de cor ficando branco, vermelho, marrom ou tonalidades intermediárias, assim como também fica cheio de pintas. A Lula e o Polvo, quando se sentem ameaçados, lançam no mar uma tinta negra formando uma nuvem que serve para confundir o predador. A tinta também é presente nos Gastrópodas Nudibrânquios (bailarina) pois todos eles não possuem concha externa protetora como os demais moluscos, sua concha é interna servindo de equilíbrio e apoio para possibilitar ao animal a natação.
2.1 - LULA
Cobrindo o animal há um manto em forma cônica que deixa o corpo com forma de um foguete, saindo os tentáculos da parte larga. A nadadeira, triangular, fica ao longo de cada lado da extremidade afilada. Possui 10 tentáculos, 8 do mesmo tamanho e um par é maior e retrátil, tendo na ponta discos achatados armados de espinhos ou ventosas.
Uma pergunta que sempre surge em aula é se existe a lula gigante. A resposta é sim, grandes lulas como o Architeuthis que atingem 17 metros de comprimento com 200 quilos, como aquela que atacou o Náutilus do capitão Nemo (20.000 léguas submarina). Estas porém estão bem além do nosso mergulho, a mais de 500 metros de profundidade, sabendo-se de sua existência através do estudo dos intestinos da baleia Cachalote que vai buscá-la. As que encontramos não oferecem risco.
2.2 - POLVO
Difere da lula pelo número de tentáculos, 8 de igual tamanho, e por ter a cabeça saliente.
Solitário, vive entocado em fendas e alimentando-se normalmente a noite. Quando se sente ameaçado, se fixa fortemente pois possui até 240 ventosas em cada tentáculo. As que encontramos costumam medir até 1 metro (de ponta a ponta dos tentáculos). As grandes espécies, como o Octopus Dofleini do Atlântico norte que mede até 10 metros de diâmetro, costumam habitar águas profundas, além do nosso limite. Mesmo grandes espécies de 5 ou 6 metros que habitam águas mais rasas no Pacifico norte, Octopus dorleine e Octopus apollyon, são pacíficas.
Se encontrarmos um fora do abrigo, imediatamente ele tentará fugir para se esconder e, se não conseguir poderá agarrar-se no braço ou no corpo do mergulhador, não para atacá-lo e sim pois será o único ponto de apoio que terá. Neste caso recomenda-se dar-lhe um tapinha ou massageá-lo que ele se solta para procurar outro lugar onde possa ficar em paz.
O único polvo perigoso ao mergulhador fica na Austrália (Hapalochiaena maculosus). Chamado de Polvo Azul é pequeno, de tentáculos curtos, com aproximadamente 10 cm, apresentando um anel ou desenhos azuis, daí derivando seu nome.

3 - PELECYPODA
Também chamada de Bivalvia ou Lamelibrânquia, a classe Pelicypoda (grego pelekys, machado + podos, pés) é composta por moluscos que possuem duas conchas (valvas) normalmente de igual tamanho e formato, simétricas, ligadas por um poderoso ligamento de articulação elástico. O lado mais fino é o ventre e o mais grosso o dorso. Não possuem cabeça e o pé tem forma de machado. Todos são aquáticos, normalmente marinhos. Desta classe nos interessam as famílias Mytilidae, Ostreidae e Tridacnidae.
3.1 - MARISCO
A família Mytilidae é a do marisco, ou mexilhão. Fica na região de arrebentação de maré por ser animal filtrante. Fixa-se através do bisso, que têm a aparência de um monte de cabelos.
O cuidado é para quem for entrar ou sair da água em um costão. Os mariscos formam um tapete nas pedras facilmente nos cortando a pele. Não causam intoxicação mas, os cortes podem ser de grande intensidade causando sérios ferimentos.
3.2 - OSTRA
As Ostras, família Ostreidae, são diferentes no formato. Não possuem as duas valvas iguais e secretam uma substância aderente ficando fixadas ao substrato por uma das valvas.
Apesar de não encontrarmos grandes concentrações de animais, podem provocar ferimentos como os mariscos, em uma entrada ou saída do mar.
3.3 - TRIDACNA
Os representantes da família Tridacnidae possuem conchas sólidas, externamente ornadas com lamelas mais ou menos desenvolvidas e internamente porcelânicas. Os lábios são ondulados. Todas as espécies são tropicais, vivendo em geral nas zonas coralinas. Para se ter uma idéia das dimensões que algumas espécies atingem, basta referir a utilização em algumas igrejas de uma só valva de Tridacna como pia batismal. Algumas, como a Tridacna deresa ou a Tridacna gigas, atingem até 2 metros de comprimento com 250 quilos. Como tem animais agregados na concha e possuem o manto colorido, camuflam-se nas ricas fauna e flora marinhas ficando quase imperceptíveis.
O grande risco é o mergulhador, desavisado e desatento, deixar entrar o pé, perna, mão ou braço dentro da concha aberta. Ela, presentindo a intrusão, se fecha para não abrir por um bom período. As valvas não se fecham rapidamente, mas, é bom não descuidar. Felizmente para nós as grandes espécies são comuns apenas no oceano Pacífico.

IDENTIFICAÇÃO
Filo - Mollusca
Classe - Gastropoda
Subclasse - Prosobranquia
Ordem - Neogastropoda
Família - Conidae (CONUS)
Classe - Cephalopoda
Ordem - Dibranchia
Subordem - Decapoda (LULA)
Subordem - Octopoda (POLVO)
Classe - Pelycipoda (Bivalva)
Ordem - Filobranchia
Família - Mytilidae / Gênero - Mytilus (MARISCO)
Família - Ostreidae / Gênero - Ostrea (OSTRA)
Ordem - Eulamellibranchia
Família - Tridacnidae (TRIDACNA)
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