OUTROS ANIMAIS
EQUINODERMOS
O filo Equinodermata (do grego Echinos, espinho - ouriço + derma, pele) é composto por animais que no estado larval possuem simetria bilateral e quando adultos simetria radial, normalmente do tipo 5. São os invertebrados que mais se aproximam evolutivamente dos vertebrados pois, além de apresentarem estágio bilateral, possuem Fosfocreatina ao invés de Fosfoarginina no mecanismo de contração muscular. O Equinoderme não tem cabeça, lado esquerdo ou direito, nem parte da frente ou de traz, a diferença que possui é entre dorso e ventre. No ventre, parte de baixo, oral, fica a boca e, no dorso, parte de cima, aboral, região mais rígida, o sistema excretor. Possui endoesqueleto calcário rugoso associado a espinhos (um único cristal de calcita - CaCO3) e um sofisticado sistema locomotor, Sistema Ambulacrário, formado pela interação de canais, ampolas e pés, onde circula água do mar em seu interior. Variando a pressão hidrostática o animal expande e retrai os pés conseguindo se locomover, apreendendo alimentos e se fixando. Este sistema locomotor ainda também funciona como órgão respiratório. O sistema circulatório, Sistema Hemal, é uma reunião de canais e lacunas preenchidas por líquido incolor. Nunca coloniais, são de vida livre mas de movimentos lentos.
Há cinco classes, Crinoidea (Crinoides ou Lírios do mar), Echinoidea (Ouriços - Bolachas), Asteroidea (Estrelas), Ophiuroidea (Ofiuros) e Holothurioidea (Holotúrias - Pepinos), todos bentônicos (vivem em fundos).

1 - OURIÇO
Tem o corpo arredondado e recoberto de espinhos salientes, longos e móveis. A boca ventral possui cinco dentes ligados a poderosos músculos que formam a Lanterna de Aristóteles. As espécies que encontramos são normalmente do tamanho de nossa mão, sendo que nos trópicos os ouriços são maiores, como o Diadema que têm espinhos que alcançam os 30 cm.
As gônadas (órgão sexual) são uma cara e procurada iguaria. Por vezes encontramos pequenos peixes que se refugiam entre os espinhos de certas espécies. Na praia, na parte rasa da água, é comum encontrarmos um interessante ouriço irregular que chamamos de Bolacha da praia ou Bolacha da areia.
Os que costumamos mais ver nos mergulhos são:
OURIÇO PRETO - Conhecido por Pindá (Tupi-Guarani - Anzol), vive na zona de arrebentação da maré sendo também encontrado em profundidades de até mais ou menos 5 metros. Faz um buraco no substrato onde fica alojado sendo, sem dúvida, o animal com que o mergulhador mais se machuca, devido a distração. É de cor preta com rígidos, inflexíveis e quebradiços espinhos. Quando mergulhamos a partir de um costão ou quando subimos para perto da superfície, a movimentação do mar pode nos arremessar sobre eles, momento que nos espetamos em seus espinhos. Estes penetram no corpo quebrando-se dentro dele e quando atingem articulações podem causar inflamação. Dependendo da profundidade da penetração e do tamanho do pedaço que fica no corpo pode exigir uma pequena cirurgia local para sua remoção. No caso de se espetar nunca tente tirar os espinhos com objetos comuns ao seu alcance, o incorreto procedimento de retirada pode trazer séria infecção.
OURIÇO BRANCO

Possui espinhos azuis, verdes, roxos, ou de outras cores. Vivem de 4 a 15 metros normalmente movimentando-se constantemente sobre o substrato e segurando através de seus pés ambulacrais pequenos pedaços de conchas sobre o corpo, uma forma de se camuflarem. Seus espinhos são finos e maleáveis. Podemos nos espetar com eles mais seus espinhos saem não deixando pedaços dentro do corpo. Este é um ouriço bem bonito.
OURIÇOS PERIGOSOS - No oceano Indo-Pacífico há ouriços perigosos que injetam toxina quanto do contato com seus espinhos. Espécies como Asthenosona varium e Diadema setosum causam intensa dor, vermelhidão e desmaio. Já o Toxopneustes plecelus provoca paralisia, estado de coma e pode levar a morte. Na sua próxima viagem ao Indo-Pacífico atente para os ouriços, fique bem longe deles.

2 - ESTRELA DO MAR

Apresentam várias tonalidades. Tem normalmente 5 braços, todos de igual tamanho e função que se estreitam até o ápice, sendo que há espécies com 6 e outras com até 50. Algumas são pentagonais, tem uma membrana que liga os braços que não ficam distintos. Na superfície superior ha vários espinhos obtusos calcários que são parte do esqueleto.
Devoradoras implacáveis, alimentando-se de moluscos, crustáceos, esponjas, corais e até de ouriços. Em muitas regiões há uma grande preocupação pela devastação que fazem em recifes. Quando pega uma presa, normalmente um molusco, ela coloca para fora o seu estômago, mata a presa com seus sucos digestivos, a digere e retrai novamente o estômago para a posição original. Outra característica interessante é que se ela tem um braço amputado faz outro em seu lugar e, em algumas espécies, do braço partido nasce outra estrela. Quando o braço não chega a ser totalmente seccionado nasce outro do corte ficando uma forquilha. Nas estrelas do gênero Linckia, habitante dos trópicos, a fêmea amputa voluntariamente os braços para gerar mais indivíduos.
As que encontramos são inofensivas, medindo normalmente de 10 a 40 cm. A única espécie que possui toxina perigosa ao ser humano é a Acanthaster planci (Coroa de espinhos) animal do Oceano Pacifico mais comum na Austrália.

IDENTIFICAÇÃO
Filo - Equinodermata
Subfilo - Eleutherozoa
Classe - Echinoidea
Subclasse - Euechinoidea (OURIÇO)
Superordem - Gnathostomata
Ordem - Clypeasteroidea (BOLACHA da Praia)
Classe - Asteroidea
Subclasse - Euasteroidea (ESTRELA DO MAR)
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